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Testes em animais: mitos e fraudes
Elisa 14/07/2010 18:14

Experimentação Animal
Mito das experiências em animais


por Bernhard Rambeck

Grande parte de nossa sociedade acredita na necessidade incondicional das experiências em animais. Essa crença baseia-se em mitos, não em fatos e esses mitos precisam ser divulgados para evitar a implosão de um sistema pseudo-científico.

Sem esses mitos, seria evidente que as experiências em animais não ajudam a humanidade, mas causam prejuízos imensos ao animal e ao homem.

Em nosso próprio interesse precisamos analisar os mitos em que se baseia o sistema de pesquisas com animais, pois não se trata apenas de aceitar um mal necessário. O sistema de experiências em animais pertence --- assim como a tecnologia genética ou o uso da energia atômica --- a um sistema de pesquisas e exploração que despreza a vida.

Com ele cavamos uma sepultura para a ecosfera e para nós mesmos. A morte das florestas, o buraco de ozônio, o efeito estufa, as alterações climáticas, os mares contaminados, a matança de focas, AIDS - tudo isso são sinais visíveis, mas afastamos o conhecimento das causas e somos incapazes de agir. Para sobreviver precisamos compreender como tudo está interligado e perceber que a utilização de milhões de animais sensíveis como objeto de exames e instrumentos descartáveis de medição nunca conduzirão à nossa cura, mas apenas à nossa autodestruição crescente. Vamos examinar a rede de mitos que cerca as experiências em animais.


1º Mito: O conhecimento médico está baseado em experiências com animais

Sempre nos fazem crer que a verdadeira arte médica só começou há cerca de 100 anos, com a quimioterapia. Isso é falso: em todas as épocas houve médicos excelentes que realmente conseguiam ajudar; em todas as épocas houve academias famosas realmente ensinando a arte da cura.

As bases do conhecimento médico clássico não eram pesquisas em animais, embora estas já existissem, em pequenas proporções, há milênios. Essencial era a observação de homens e animais doentes e sadios. Também a maior parte do nosso conhecimento médico moderno não se baseia em experiências com animais ou, então, foi apenas confirmado posteriormente por essas experiências. Muitas substâncias eficazes à base vegetal e também medicamentos como o ácido acetilsalisílico (contra febre) ou fenobarbital (para epilepsia) foram descobertos sem experiências em animais.

A maioria das técnicas cirúrgicas habituais não foram desenvolvidas em animais.


2º Mito: Foram as experiências em animais que possibilitaram o combate às doenças e, desta forma, permitiram aumentar a vida média.

Esse mito padrão daqueles que apóiam as experiências com animais é falso! O aumento da expectativa de vida deve-se, principalmente, ao declínio das doenças infecciosas e à conseqüente diminuição da mortalidade infantil. As causas desse declínio foram melhores condições de saneamento, uma tomada de consciência em questões de higiene e uma melhor alimentação - não foi a introdução constante de novos medicamentos e vacinas. Da mesma maneira, os elevados coeficientes de mortalidade infantil no Terceiro Mundo podem ser atribuídos a problemas sociais, à pobreza, à desnutrição, etc... - não à falta de medicamentos ou vacinas.


3º Mito: A pesquisa médica só é possível com experiências em animais

Há algumas décadas, o conceito de métodos alternativos não existia. Ainda recentemente nos explicavam que o teste DL-50% (para determinar a dose letal) e outras atrocidades eram indispensáveis. Os cientistas declaravam unânimes que só o animal ileso poderia demonstrar o efeito dos medicamentos. Atualmente as declarações são mais cuidadosas. A indústria está explicando, constantemente, quantos animais já substituíram, quanto já diminuiu o consumo de animais e como é perfeitamente possível renunciar ao DL-50%. Em muitas áreas estão utilizando métodos alternativos, processos in-vitro com culturas celulares, microrganismo, etc, cujos resultados superam de longe as provas fornecidas pelas experiências em animais.

Esse desenvolvimento mostra como - através da pressão da opinião pública - é possível conseguir que não se façam experiências com animais.

Percebemos também, que muito daquilo que era considerado parte incontestável da medicina moderna, pode ser, tranqüilamente, substituído em poucos anos.


4º Mito: Experiências em animais são necessárias porque as doenças mais importantes ainda não têm cura.

Apesar das excessivas experiências em animais, as doenças mais importantes não foram modificadas, não se tornaram mais curáveis. Esse fato mostra exatamente o pouco que as experiências em animais podem contribuir para a erradicação das doenças humanas. A conseqüência lógica não pode ser a ampliação da pesquisa em animais e sim, esforços redobrados visando o controle, a profilaxia e a pesquisa das causas das doenças. Não há mais dúvidas de que nós mesmos causamos a maioria das doenças, através de alimentação errada, dependência de substâncias tóxicas, stress, etc.

Estudos amplos com vegetarianos comprovaram há tempo que uma alimentação mais saudável reduz o risco de câncer, diminui a probabilidade de doenças cardiovasculares e aumenta a expectativa de vida.


5º Mito: Experiências em animais são necessárias para afastar a ameaça de novas doenças.

Uma típica nova doença ameaçadora é a AIDS.

A pesquisa da AIDS é um ótimo exemplo de pesquisa moderna que pode acumular consideráveis conhecimentos em pouco tempo, e sem usar experiências em animais. Os progressos na pesquisa da AIDS não se baseiam em experiências em animais, mas na epidemiologia, na observação clínica dos doentes e nos estudos in-vitro com culturas celulares.


6º Mito: Os riscos de novos medicamentos e vacinas só podem ser determinados por meio de experiências em animais.

Medicamentos importantes foram descobertos antes da era das experiências em animais, que ainda hoje estão em uso. Fica cada vez mais claro que a transferência de resultados toxicológicos do animal para o homem não tem sentido. Existem cada vez mais métodos expressivos que dispensam as experiências em animais. Testes toxicológicos como o DL-50% ou o estudo de irritação dos olhos do coelho (Teste Draize) são - também segundo diversos cientistas - rituais de extrema crueldade que nada têm a ver com ciência. Ainda mais difíceis de serem transferidos para o homem são os resultados de pesquisas nas quais fazem penetrar em diversos animais, por ingestão ou injeção, grande quantidade de substâncias experimentais durante um tempo prolongado. Não convém esquecer que o risco final é sempre do homem; mas, na medida em que experiências em animais aparentam segurança, o homem é levado ao uso descuidado de novas substâncias. Isso aumenta o risco ainda mais.


7º Mito: Experiências em animais não prejudicam a humanidade.

Experiências em animais atribuem segurança aparente a medicamentos e a novas substâncias, embora de forma alguma seja possível avaliar essa segurança. A tragédia com a Taliodomida é conhecida. Aproximadamente um terço de todos os doentes com problemas renais que fazem diálise (ou esperam pela doação de um rim) destruíram sua função renal tomando analgésicos considerados seguros após experiências em animais. Todos os medicamentos retirados do mercado por exigência dos órgãos de saúde foram testados em experiências com animais. Um outro exemplo: o perigoso ?buraco de ozônio? sobre a Antártida é causado pelos CFC (clorofluorcarbonetos), que foram considerados seguros após experiências químicas e, também, com animais. A noção errônea de segurança levou à produção e à disseminação desenfreada dessas substâncias, que agora ameaçam a biosfera do nosso planeta.

Experiências em animais, na realidade, tornam as atuais doenças da civilização ainda mais estáveis. A esperança por um medicamento descoberto por meio das pesquisas com animais destrói a motivação para tomar uma iniciativa própria e para mudar significativamente o estilo de vida. Enquanto nos agarramos à esperança de um novo remédio contra o câncer, as doenças cardio-vasculares, etc, nós mesmos - e todo o sistema de saúde - não estamos suficientemente motivados para abolir as causas dessas enfermidades, ou seja o fumo, as bebidas alcoólicas, a alimentação errada, o stress, etc.

Experiências em animais destroem a consciência em relação às espécies, à interdependência e aos ciclos na natureza. Quem é capaz de julgar as conseqüências que os animais manipulados pela biotecnologia trarão para a natureza ? Quem é capaz de avaliar a conseqüência de uma fuga de ratos patenteados com câncer, ratos com AIDS, etc?

Durante milhões de anos de evolução, a natureza deu prioridade à saúde e à capacidade de adaptação dos animais. Nós, homens, produzimos animais com doenças congênitas, aperfeiçoados para fins científicos e comerciais.

Ao sistema de pesquisa científica baseado em experiências com animais cabe grande parte da responsabilidade pela crise profunda em que se encontra, sob todos os pontos de vista, a medicina moderna. A medicina atual é cara demais; em muitas áreas é francamente perigosa e - para as doenças realmente importantes da época - é ineficaz. Esses três aspectos estão intimamente relacionados e têm como ponto de partida a visão do homem (uma espécie de biomáquina) desenvolvida a partir de experiências em animais.

Um dos piores danos causados pelas experiências em animais consiste no embrutecimento da cultura médica. Sem levar em conta que a experiência com o homem, o princípio das experiências com animais está afastando a medicina cada vez mais da arte de cura e empurrando-a para uma medicina que conserta e coloca peças. Não precisamos retratar as doenças como algo positivo, mas enquanto encaramos a doença apenas como defeito a ser tecnicamente consertado, perdemos a possibilidade de questionar o sofrimento humano.

Perdemos toda possibilidade de aceitar a doença como algo que tem um sentido, algo pelo qual precisamos passar.


8º Mito: O animal não sofre durante a experiência.

O sofrimento do animal usado nos experimentos já começou bem antes da experiência, quando é confinado, criado e transportado em condições totalmente estranhas à espécie. Não existem experiências toxicológicas inofensivas para o animal! Gostaria de saber como experiências toxicológicas - durante as quais os animais são envenenados de forma mais ou menos rápida - podem decorrer sem tortura e dor. Não existe experiência nas áreas de toxicologia, cirurgia, radioterapia, etc, sem sofrimento terrível para o animal atingido! Ainda hoje a experiência representa para o animal um sofrimento terrível, que normalmente só termina com a morte.


9º Mito: Somente os especialistas sabem avaliar a necessidade, a validade e a importância das experiências em animais.

O mito de que leigos, por falta de conhecimento especializado, não podem opinar sobre experiências em animais proporcionou, durante dezenas de anos, um campo livre para os vivisseccionistas. Eles têm enorme interesse em trabalhar sem serem observados e incomodados por um público crítico. As experiências em animais, assim como a criação de animais confinados, ou a criação de animais para comércio de peles são praticadas com um número infinito de torturas porque os políticos, os legisladores, os teólogos, os filósofos e, principalmente, o homem comum não têm noção do que acontece ou, então, têm uma idéia totalmente errada do sofrimento e da miséria desses animais.

Nos últimos anos, porém, os muros do silêncio vêm sendo progressivamente derrubados pela imprensa, pelo rádio e pela televisão. Além disso, os últimos anos trouxeram mudanças importantes: os leigos são apoiados por especialistas e por associações médicas e leigas, nacionais e internacionais, que rejeitam as experiências em animais.

Deixar que os próprios pesquisadores julguem a necessidade e a importância das experiências em animais é semelhante a um parecer sobre alimentação vegetariana feito por uma associação de açougueiros ou a um relatório sobre o significado da energia nuclear elaborado pelos fornecedores de usinas nucleares. Não serão justamente aqueles que estão engajados no sistema de experiências em animais que irão questionar a vivissecção!

De forma alguma é necessário ser um especialista para derrubar este nono mito: apesar de milhões de animais torturados e mortos, a vivissecção não conseguiu obter um resultado frente às epidemias do nosso tempo.


10º Mito: Não é possível abolir as experiências com animais.

Esse mito, sempre apresentado pelos defensores da vivissecção, é um dos pilares que sustentam o sistema das experiências em animais. A afirmação de que as experiências em animais possam, quando muito ser reduzidas a um ?mínimo indispensável?, mas jamais completamente abolidas, nos paralisa. Leva a discussões intermináveis, despidas de sentido, sobre a extensão e o tipo de experiências que podem ser substituídas ou descartadas. Esse é um dos motivos pelos quais o movimento dos opositores está tão dividido. Na questão da abolição das experiências, deveríamos verificar como outros erros históricos foram vencidos.

Hoje está claro que a caça às bruxas, a exploração sem clemência dos escravos, a separação desumana de raças constituem crimes que não podem ser eliminados pela redução do número de vítimas, ou por etapas. Só podem ser eliminados por mudanças fundamentais, associadas à uma tomada de consciência. Assim, também a vivissecção precisa ser eliminada em sua totalidade, como um caminho prejudicial inaceitável.

As chances de alcançarmos esse objetivo (a abolição das experiências em animais) são hoje maiores do que nunca. O movimento contra vivissecção é visto cada vez mais como parte do movimento ecológico, que se preocupa com os danos gigantescos que o homem comete em sua prepotência. Adversários das experiências em animais estão se aliando a grupos que enfrentam a engenharia genética, criação de animais confinados, a criação de animais para comerciar pele, a morte das florestas ou os perigos da energia nuclear. Todos eles procuram impedir a exploração desenfreada da natureza e concebem o nosso ecossistema como algo muito delicado, uma rede interligada de múltiplas formas.

É muito importante que a motivação para combater as experiências em animais se transforme cada vez mais. Enquanto, antigamente, o animal e o horrendo tratamento estavam no centro da discussão, hoje aumenta a consciência de que o próprio homem é o maior prejudicado com a exploração egoísta do animal. O confinamento dos animais de corte significa, em primeiro lugar, uma terrível tortura para eles, mas logo levou a um aumento considerável das doenças provocadas pela alimentação. As possibilidades da engenharia genética mostram, em primeiro lugar, um inacreditável sangue-frio em relação aos animais manipulados, mas em seguida tornou-se uma ameaça complexa ao equilíbrio ecológico e, através disso, à própria existência do homem.
Assim, hoje entendemos cada vez melhor que a experiência em animais, além de representar um enorme sofrimento para a vítima, contribui - devido a todas as conseqüências -para a autodestruição do homem.

Se o homem não consegue adquirir um novo nível de consciência da interdependência e das interligações dentro da natureza para desistir voluntariamente de surpresas desagradáveis como a vivissecção, a engenharia genética, a energia atômica...a natureza vai se encarregar de eliminar o homem definitiva e irreversivelmente junto com suas experiências em animais ! Ainda existe escolha. Ainda existe a possibilidade de pôr um fim à exploração desenfreada do planeta com todos seus seres , de abolir a vivissecção em seu próprio interesse!


Conclusão:

A experiência em animais não representa apenas um método cruel, e por isso mesmo antiético, mas é também destituído de validade científica. No interesse do homem e do animal, precisa ser abolida o mais rápido possível e substituída por métodos racionais e humanos!

Fonte:
Resumo de trabalho apresentado em Simpósio realizado em Genebra pela Liga Internacional de Médicos pela Abolição das Experiências em Animais, por Bernhard Rambeck, diretor do Departamento Bioquímico da Sociedade de pesquisa em Epilepsia, Bielefeld, Alemanha. É autor de inúmeros trabalhos científicos no campo da bioquímica e da farmacologia clínica. Em sua opinião, a maneira mecanicista de pensar das atuais biociências impede qualquer real desenvolvimento da Medicina e da Biologia. Desde 1985, Rambeck dedica-se sobretudo ao estudo das experiências em animais que estão prejudicando o homem e trazendo sofrimento infinito aos animais.

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Quem paga a conta é a sociedade
Luis 14/07/2010 18:26

Não são apenas os animais que sofrem, mas toda a sociedade, porque os testes em animais servem apenas para enriquecer a indústria farmacêutica que quer intoxicar a população com remédios duvidosos.
O pior: as verdadeiras cobaias seremos nós mesmos que teremos que testá-los, depois dos animais.
Vamos lembrar da droga talidomida da década de 1960 que em ratos não provocou nenhum problema, mas em humanos causou uma tragédia.
Quem lucra com o sofrimento dos animais e humanos são os capitalistas da indústria farmacêutica.
A maioria das pessoas fica doente, por falta de saúde, saneamento básico e boa alimentação. Mas parece que a UFRN não quer perceber isto e sim fazer o jogo do poder
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Quem lucra é apenas a indústria farmacêutica
Quem lucra é apenas a indústria farmacêutica

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Divulgação - www.GatoVerde.com.br  em defesa dos Direitos Animais
 
 

01/11/08 - 11h30 - Atualizado em 01/11/08 - 11h35

Bióloga da USP denuncia tráfico de animais destinados à produção de remédios

Da EFE

Madri, 1 nov (EFE).- A maioria dos animais e plantas tirados ilegalmente do Brasil termina nas mãos da indústria farmacêutica, que elabora produtos com as toxinas geradas por eles, segundo Ursula Castro de Oliveira, bióloga do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP).

Ursula estuda há oito anos o tráfico de animais e plantas e, segundo explicou à Agência Efe, por trás desse negócio se escondem empresas de remédios, pesquisadores "sem escrúpulos" e até "congregações religiosas".

Aranhas, rãs, sapos e serpentes são escondidos em bagagens falsas ou levados nos corpos dos traficantes, segundo a bióloga.

O veneno de algumas serpentes é usado para tratar a hipertensão, e rãs da Amazônia têm propriedades anestésicas patenteadas por uma multinacional.

Empresas dos Estados Unidos e do Japão possuem direitos sobre certas substâncias secretadas por sapos e que são utilizadas durante séculos por comunidades indígenas.

Os EUA também detêm a patente de plantas como o rupununine, um derivado da noz de uma árvore que cresce no Brasil e que é usada tradicionalmente por indígenas como remédio natural para doenças cardíacas e neurológicas.

Ursula também destacou o caso do cupuaçu, cujos direitos de exploração pertencem a uma empresa japonesa.

De 5% a 15% dos cerca de US$ 20 bilhões gerados anualmente pelo tráfico de animais e plantas passam pelo Brasil, segundo dados do Governo federal correspondentes a 2006.

Esse contrabando começou na época da colonização, se agravou na década de 60 e atualmente é um "autêntico abuso", segundo a bióloga da USP.

O tráfico de animais é crime, e a pena varia até 1 ano de prisão, mas Ursula diz que "a fiscalização é falha".

A bióloga trabalha na ONG Iandé, dedicada a denunciar essa situação com a ajuda de outras organizações e universidades, mas se trata de algo "muito difícil" de localizar, pois só se pode investigar quando empresas estrangeiras lançam um novo remédio elaborado com substâncias que provêm de animais brasileiros.


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL845648-6174,00-BIOLOGA+DA+USP+DENUNCIA+TRAFICO+DE+ANIMAIS+DESTINADOS+A+PRODUCAO+DE+REMEDIO.html



Texto inédito publicado em 19 de Outubro de 2008 em
http://www.sentiens.net/top/PA_TRI_georgeguimaraes_16_top.html

O FIM DA EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL: CERTO, AINDA QUE ADIADO

George Guimarães
veddas@veddas.org.br


Apesar dos esforços dos ativistas pelos direitos animais, o projeto de lei 1.153/95, conhecido pelo nome de Lei Arouca, foi sancionado pelo Presidente da República no último dia 08 de outubro, sendo referida a partir de agora pelo número 11.794/08.

Eu considerei ter sido especialmente interessante atuar nesse momento peculiar da luta pelos direitos animais no Brasil. Pude ver cientistas que matam animais por motivos econômicos alegarem estar interessados no bem-estar desses que por suas mãos perdem a vida. Pude ainda observar o quão recorrente é a argumentação baseada na falsa necessidade do uso de animais para o avanço da ciência, alegação essa que, infelizmente, ainda é bem aceita pela sociedade.

Pude ver legisladores eleitos com a plataforma da proteção animal corroborando o discurso dos cientistas e de outros interessados na manutenção desse modelo arcaico que agora tem prorrogado o seu tempo de vida. Os legisladores que tiveram o apoio da comunidade que leva a bandeira da defesa animal tiveram um papel muito importante para esse resultado negativo, pois ao calarem-se (ou em alguns casos posicionarem-se favoráveis à aprovação da lei), passaram a errônea mensagem de que os defensores dos direitos animais estão de acordo com o atual desfecho. Não estamos!

Teria sido tudo isso uma grande confusão ou uma importante lição? Acreditar na primeira seria o erro mais grave e também o mais ingênuo, pois o que está acontecendo é nada menos que o escancarar da incoerência, tanto do lado dos que vivem à custa do modelo animal quanto dos que defendem meias soluções para atenuar o flagelo das vítimas. Todo esse incidente serviu para deixar ainda mais clara a deficiência que o movimento de defesa animal tem em sua representação no poder legislativo desse país, haja vista que aqueles que dizem representar a voz dos animais exerceram o seu poder para favorecer os opressores, fortalecendo-os ainda mais ao regulamentar a falácia que é a pesquisa com animais, e o fizeram sem contestação, simplesmente aceitando o falso argumento de que a aprovação dessa lei reduziria o sofrimento dos animais encarcerados em laboratórios. Apesar da falta ter sido mais grave entre os que usam a bandeira da defesa animal, o descaso e a parcialidade na escuta foi o que prevaleceu entre os legisladores.

Em outros tempos, já foi possível aos vivisseccionistas fazerem aquilo que bem entendessem com os animais entre as quatro paredes de seus laboratórios, sem que houvesse qualquer interferência da opinião pública. Hoje, isso já não é mais possível. Foi em 1977 que Henry Spira conduziu pela primeira vez uma campanha para acabar com os testes em animais em uma instituição. A sua campanha foi bem-sucedida já naquela época. Na década de 80, o assunto veio a público pela primeira vez por via televisiva, quando a imprensa divulgou de maneira inédita as imagens do interior de um laboratório de vivisseção.

Já nesse primeiro momento, houve o questionamento sobre o sofrimento imposto aos animais e sobre o nosso direito em utilizá-los para fins didáticos ou científicos. Mais adiante, somou-se a isso o questionamento ativo sobre a validade desses experimentos para a saúde humana. Quase 30 anos depois, em um debate inédito no Brasil, o legislativo federal dá um enorme passo em direção ao retrocesso, contrariando as tendências legislativas que podem ser observadas em países com legislação mais avançada.

Retrocedemos nós, toda a sociedade brasileira, e a decisão foi tomada por poucos sem que todos os lados do debate houvessem sido escutados. Mesmo tendo procurado os legisladores e munidos do apoio de 23 mil cidadãos que expressaram por meio de um abaixo-assinado o seu pedido pela não-aprovação da lei, fomos ignorados em ambas as casas legislativas de nosso país.

Durante a fase de debate mediada pela imprensa, pudemos observar a já esperada retórica terrorista na defesa dos interesses dos vivisseccionistas, a mesma utilizada desde sempre e até hoje para encobrir as suas falácias e métodos obscurantistas, sob a falsa alegação de que o modelo animal traria avanços insubstituíveis para o bem da humanidade. Ao mesmo tempo, eles muito convenientemente se esquecem de considerar as falhas do modelo animal, as quais certamente sobrepõem-se aos benefícios alegados. Indo além, alegam a falta de métodos substitutivos, falta essa que existe justamente em decorrência da sua própria falta de interesse em desenvolvê-los. A quem mais caberia o desenvolvimento dessas alternativas se não aos próprios cientistas? Os defensores dos direitos animais colocam o problema ético e cabe aos cientistas buscar as soluções ao problema exposto. Ainda assim, para muitos casos, os modelos substitutivos já existem, mas esses nem sempre lhes são convenientes do ponto de vista econômico, especialmente quando, além dos próprios indivíduos, falamos também da indústria. Sobretudo, não lhes é mais conveniente do ponto de vista do comodismo e do desenvolvimento profissional, pois para migrar para os modelos de experimentação com métodos substitutivos eles teriam que reaprender e isso lhes custaria tempo, dinheiro e, acima de tudo, uma mente aberta à mudança.

O abaixo-assinado divulgado pelo VEDDAS pedindo a não-aprovação do projeto de lei 1.153/95, a Lei Arouca, que regulamenta a experimentação animal, recebeu 5.000 assinaturas em apenas 24 horas, chegando a 13.000 assinaturas em apenas 5 dias e 20.000 assinaturas em apenas 3 semanas. Em contrapartida, o abaixo-assinado de teor oposto, organizado por uma entidade que defende os interesses dos vivisseccionistas e que pedia urgência na votação do referido projeto de lei, conseguiu reunir, ao longo de 3 meses, 3.500 assinaturas apenas. Isso significa que a opinião pública contrária à aprovação do projeto de lei obteve um apoio popular 4 vezes maior em apenas um sexto do tempo. Considerando a falta de recursos de que dispõem os grupos de defesa dos direitos animais, cuja estrutura é incomparavelmente inferior à das indústrias que lucram com a exploração animal, temos que essa expressão popular seria ainda maior se fosse ajustado esse jogo de forças.

A expressiva opinião popular contrária à experimentação animal que pode ser constatada nos resultados de pesquisas conduzidas pelos veículos de comunicação nesses meses de debate e também pelos abaixo-assinados divulgados (23.000 contra a lei versus 3.500 a favor da lei) é mais um dos reflexos de estar cada vez mais evidente a falácia e inadequação do modelo animal. Esse refinamento da opinião pública demonstra também a percepção ética que felizmente tem crescido em nossa sociedade, em especial no que diz respeito à sensibilidade com relação aos animais. Infelizmente, influenciados pela soberba do discurso dos cientistas, os parlamentares se mostraram indispostos a escutar a opinião de outros representantes dessa nossa sociedade dita democrática.

Ainda há muitas etapas a serem conquistadas e o objetivo que buscamos não se resume a esse desfecho relativo à aprovação da Lei Arouca. Sempre chega o momento quando os argumentos falsos e as alegações falhas são colocados frente a frente com as verdades consistentes. No que tange à vivisseção, do ponto de vista da ética, esse momento é chegado. O obscurantismo por detrás dessa poderosa estrutura econômica não pode mais sustentar-se diante dos olhos da ética. Essa estrutura que subjuga outras espécies e apenas assim é capaz de perpetuar o modelo vigente (um modelo que lucra com a doença e não com a saúde, que adia as descobertas ao invés de desvenda-las) está fadada a ser extinta. Infelizmente, confrontado com os interesses políticos e econômicos vigentes, pudemos constatar que esse momento foi temporariamente adiado. Mas como acontece com todos os movimentos de justiça social, quando chega o tempo da mudança impulsionada pela ética, o tempo da mudança política e econômica, inexoravelmente, não tarda a chegar. Eu tenho a certeza de que verei essa mudança acontecer ainda no meu tempo de vida.

Evidenciando a progressão em direção à fatalidade, situações confusas como a atual começam a configurar-se: vivisseccionistas alegam estarem preocupados com o bem-estar dos animais cujas vidas são exterminadas por suas próprias mãos e, ao mesmo tempo, alguns ditos defensores dos animais aliam-se àqueles que oprimem os animais, como se as suas lutas fossem as mesmas. Sabemos que essas lutas não são as mesmas da mesma maneira que sabemos que não é possível tirar a vida e ao mesmo tempo declarar haver interesse no bem-estar daquele de quem a vida foi tirada. O fato dos cientistas obscurantistas se verem obrigados a aliarem-se aos argumentos da defesa animal apenas escancara a sua falta de alternativas na busca mal-sucedida por encobrir suas falhas.

Os movimentos por direitos sempre vencem. Foi assim com os direitos dos negros, das mulheres, das crianças e assim será com os direitos animais. A trilha que teremos que percorrer no caminho da libertação animal até que conquistemos o nosso objetivo maior ainda é longa. Mas no que diz respeito à experimentação animal, essa conquista é apenas uma questão de tempo, pois essa prática já está com os seus dias contados.

O destino de toda a verdade é ser desvendada. O tempo para que a verdade sobre a experimentação animal seja desvendada por completo está diretamente relacionado ao empenho dos ativistas pelos direitos animais. Portanto, mais cedo ou mais tarde, à nossa escolha, o público estará definitivamente informado e imune às falsas alegações da indústria da vivissecção que obscurece essa verdade que é motivada por nada mais do que os seus próprios interesses econômicos. A incapacidade dos vivisseccionistas em sustentar a sua própria falácia científica frente à opinião pública mantém-se amenizada apenas pelo recurso a mecanismos político-econômicos, como foi o caso da aprovação da Lei Arouca. Mas a história nos mostra que a sustentação por meio desse jogo de forças tem tempo de vida contado a partir do momento que uma legião de ativistas, cientistas, juristas e outros cidadãos dedicados à verdade, à ética e à justiça começam a atuar para revolucionar o cenário vigente.

Em tempo devido, os vivisseccionistas se encontrarão sem alternativas (agora de fato, inclusive ao comodismo) e terão que formar alianças verdadeiras junto aos                 defensores dos direitos animais para que juntos possam finalmente trilhar o caminho que nos levará às respostas que buscamos sobre a fisiologia e saúde humanas, sem que para isso tenhamos que subjugar e usurpar da vida e liberdade de outras espécies.

Saiba mais sobre a campanha contra a aprovação da Lei Arouca acessando http://veddaspl1153.blogspot.com.

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George Guimarães é nutricionista e ativista pelos direitos animais. Dedica-se à pesquisa, aconselhamento e consultoria em nutrição vegetariana em seu consultório e dirige a NutriVeg Consultoria em Nutrição Vegetariana, onde orienta pacientes vegetarianos ou aqueles em transição para o vegetarianismo. Também dirige as duas unidades do VEGETHUS Restaurante Vegetariano, que promove cursos e eventos com o objetivo de difundir o veganismo. Também ministra cursos e palestras sobre o tema da nutrição vegetariana e veganismo em universidades e para o público em geral. Sua formação em nutrição vegetariana é composta em parte pela participação em congressos científicos e conferências no exterior.

É docente da primeira disciplina de nutrição vegetariana em um curso de pós-graduação e tem trabalhos publicados em revistas científicas de alcance internacional. Seja no consultório, na colaboração em estudos científicos ou nos restaurantes que dirige, todas suas atividades profissionais são voltadas para a difusão do veganismo. Desde 2006 dirige o VEDDAS, grupo que vem ganhando destaque no movimento de defesa animal. Vegetariano desde os quatro anos de idade e vegano há quatorze anos.

E-mail: veddas@veddas.org.br .

Texto inédito copiado de 
http://www.sentiens.net/top/PA_TRI_georgeguimaraes_16_top.html


 

 VEJA

O QUE É EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL

www.youtube.com/watch?v=CfdAm71pUl0


07/10/2008 - Do GRUPO SENTIENS http://br.groups.yahoo.com/group/gruposentiens/
Referências contrárias à experimentação animal 
(2ª edição - texto atualizado em 07/10/2008)

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:: VIDEOGRAFIA :: BIBLIOGRAFIA :: ARTIGOS NA INTERNET :: SITES ::
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      :: VIDEOGRAFIA ::

      Não Matarás - os animais e os homens nos bastidores da ciência (65 min - Instituto Nina Rosa (http://www.institutoninarosa.org.br/naomataras)
      Sinopse - Quando você toma um remédio, sabe como ele foi criado? Quando você passa batom, sabe realmente o que está colocando em seus lábios? Lanolina, queratina, ácidos graxos... de onde vêm as substâncias que deixam seus cabelos macios e sua roupa ainda mais branca? A cada dia, o consumidor tem produtos novos à sua disposição nas prateleiras do supermercado. O apelo ao consumo é cada vez maior e os lançamentos sempre vendem uma nova fórmula mágica. Mas o que acontece para que esses produtos tenham seu consumo permitido? Por trás dos rótulos atraentes e das promessas de efeito miraculosos está o sofrimento de milhões de animais que serviram como cobaias dos testes. Os resultados - cada dia mais contestados - são extrapolados para humanos, e sua eficácia está sendo cada vez mais questionada. Eles são seguros? Até quando casos como o da talidomida continuarão a acontecer? Os testes que põe em risco a sua saúde e ceifam a vida de milhões de animais são justificáveis? Este é o tema principal do documentário "Não Matarás - os animais e os homens nos bastidores da ciência", um olhar abrangente sobre o sistema que mata mais do que salva. O uso de animais no ensino, o medo dos estudantes em expressar sua rejeição a esses métodos cruéis, a continuidade de um pensamento acadêmico já ultrapassado. Filósofos, cientistas e ativistas revelam o que é mantido em segredo.


      Disponível no Youtube: http://br.youtube.com/watch?v=wvyEbQa0-E0&feature=PlayList&p=1C96C0202EDB3CB8&index=0&playnext=1


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      :: BIBLIOGRAFIA (em português) ::


      Ética e Experimentação Animal - fundamentos abolicionistas (352 páginas - ISBN 9788532803931 - Editora da UFSC - Edufsc - http://www.edufsc.com.br/)

      Neste livro, a filósofa Sônia T. Felipe reconstitui os argumentos contrários à experimentação em animais vivos, formulados a partir de quatro perspectivas morais distintas e influentes: das tradições religiosas antigas, da filosofia moderna e contemporânea, da própria ciência, e da tradição jurídica. 


      Vozes do Silêncio - Cultura Científica: ideologia e alienação no discurso sobre vivissecção (192 páginas - ISBN 9788589967020 - Instituto Nina Rosa - http://www.institutoninarosa.org.br/)
     

O autor João Epifânio Regis Lima, professor de Filosofia da Ciência e Estética na Universidade Metodista de São Paulo, investiga as causas do silêncio, da naturalidade e da postura acrítica do meio acadêmico diante de uma prática violenta como a vivissecção. Para isso, parte de depoimentos de profissionais e estudantes envolvidos com a experimentação animal e da análise dos componentes ideológicos e culturais que cercam tal prática. O silêncio é o problema; o material a palavra. Uma reflexão acerca do uso de animais em experimentos científicos. 


      Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação - por uma ciência responsável (176 páginas - ISBN 8589967018 - Instituto Nina Rosa - http://www.institutoninarosa.org.br/)

      Este livro de autoria do biólogo Sérgio Greif trata da humanização do ensino da área da saúde através da substituição do uso de animais vivos (vivissecção) na educação por métodos alternativos - modelos, vídeos, softwares - que demonstram ser tão ou mais eficazes do que o uso tradicional de animais em laboratório. Vem também colaborar com a tão almejada humanização curricular, visto que o uso de animais vivos pode levar os estudantes da área da saúde, a uma dessensibilização, transponível aos pacientes.
      Citando o conceito do MD em Psiquiatria Dr. Neal D. Barnard, "O estudante que se recusa a participar de atividade que parece ser ou é cruel aos animais, deve ser encorajado, e não desestimulado. Compaixão é muito mais difícil de se ensinar do que anatomia". 

      Vítimas da Ciência - Limites éticos da experimentação animal (80 páginas - ISBN 85-85681-32-2 - Editora Mantiqueira - http://www.editoramantiqueira.com.br/)

      A bióloga Tamara Bauab Levai expõe a cruel realidade dos laboratórios de pesquisa científica que realizam experimntações em animais. em 79 páginas a autora fornece dados da prática ao redor do mundo, esclarece quais são as leis existentes no Brasil e choca pela clareza com  descreve o sofrimento desses animais.



      Amigo Animal (160 páginas - ISBN 8576620049 - Editora Letras Contemporâneas - http://www.letrascontemporaneas.com.br/)
      A bióloga e professora Paula Brügger aborda com muita propriedade  três dos aspectos em que se trava a relação entre seres humanos e animais em nossa cultura: o primeiro trata da relação com os animais urbanos; o segundo, dos animais criados para servirem de alimento; e, o terceiro, dos animais utilizados como ferramentas de ensino e pesquisa. A contribuição mais significativa deste livro ao terceiro tema foi aprofundar sob o ponto de vista paradigmático as causas do fracasso da experimentação animal. Essa questão foi abordada fazendo dialogar as premissas básicas da visão sistêmica - presentes sobretudo em "A teia da vida", de Fritjof Capra - e os processos tanto biológicos quanto sociais, culturais, históricos, etc., que envolvem pesquisas, orientações pedagógicas e políticas públicas em saúde (planetária e individual).

      BRÜGGER, Paula. "Vivissecção: fé cega, faca amolada?". In: MOLINARO, Carlos Alberto; MEDEIROS, Fernanda Luiza Fontoura de; SARLET, Ingo Wolfgang; FENSTERSEIFER, Tiago (Orgs.). A dignidade da vida e os direitos fundamentais para além dos humanos: uma discussão necessária. Belo Horizonte: Fórum, 2008, p.145-174. Neste artigo, analisam-se algumas questões de ordem científica e  epistemológica que estão no cerne da falibilidade dos dados provenientes da vivissecção, a realização de operações ou estudos em animais não-humanos vivos para observação de certos fenômenos. Propõe-se que tal falibilidade seja decorrência de uma fé cega na cosmovisão mecanicista de ciência que é reducionista, especista e inadequada para descrever fenômenos complexos. A fim de  transcender a crise que envolve a nossa relação com a natureza, sugere-se uma profunda revisão do paradigma hegemônico em nosso sistema jurídico e educacional, para que possamos tecer uma nova relação livre do antropocentrismo e da racionalidade instrumental dominantes hoje.
      Apresentam-se, ainda, técnicas e procedimentos substitutivos à 
      vivissecção que, além de confiáveis, são corretos do ponto de vista ético, pois consideram os animais não-humanos como sujeitos de suas vidas e não como meros objetos.

      SCHÄR-MANZOLI, Milly. Holocausto.Trad. Maria S. Glycerio. 1ªed. São Paulo: ATRA-AGSTG, 1995.
      


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      :: ARTIGOS NA INTERNET ::



      VIVISSECÇÃO: UM NEGÓCIO INDISPENSÁVEL AOS "INTERESSES" DA CIÊNCIA"?
      A filósofa Sônia T. Felipe aponta interesses que se escondem por trás das práticas vivisseccionistas.

      http://www.sentiens.net/top/PA_TRI_soniafelipe_06D_top.html



      ÉTICA E PRÊMIO NOBEL POR "NOCAUTE" DE GENES DE CAMUNDONGOS: A ILUSÃO DO BENEFÍCIO HUMANO COM EXTERNALIDADE PARA O ANIMAL
      A concessão do Prêmio Nobel de medicina para cientistas que desenvolveram tecnologia para a manipulação genética de ratos é o tema do artigo da filósofa Sônia T. Felipe.

      http://www.sentiens.net/top/PA_TRI_soniafelipe_05_top.html



      O DIREITO À ESCUSA DE CONSCIÊNCIA NA EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL
      Tese de autoria do promotor de justiça Laerte Fernando Levai sobre o direito à escusa de consciência, apresentada e aprovada no 10º Congresso de Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de São Paulo, na cidade de Campos do Jordão/SP.

      http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_laertelevai_0016_top.html




      ANIMAIS X CIENTIFICISMO
      Os interesses envolvidos na experimentação animal e a resistência dos cientistas à não utilização de animais são tratados pelo promotor de justiça Laerte Fernando Levai, o biólogo Thales Tréz e a presidente da ONG Fala Bicho, Sheila Moura.

      http://www.sentiens.net/top/PA_TRI_laertelevai_05_top.html



      EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL: HISTÓRICO, IMPLICAÇÕES ÉTICAS E CARACTERIZAÇÃO COMO CRIME AMBIENTAL
      Os aspectos históricos, científicos, éticos e legais da experimentação animal são o foco deste ensaio do promotor de justiça Laerte Fernando Levai e da advogada Vânia Rall Daró, em que abordam também os métodos substitutivos e como seria possível uma reconciliação entre ciência e ética.

      http://www.sentiens.net/top/PA_ENS_laertelevai_04_top.html



      NECESSIDADE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL?
      O biólogo Sérgio Greif escreve sobre as inconsistências do discurso vivisseccionista e o papel da experimentação animal.

      http://www.sentiens.net/top/PA_TRI_sergiogreif_06B_top.html



      MODELO ANIMAL

      O biólogo Sérgio Greif critica o uso de animais como modelos experimentais e a extrapolação dos resultados de testes para seres humanos.

      http://www.sentiens.net/top/PA_TRI_sergiogreif_14_top.html

      

      PORQUE SOMOS CONTRA OS MODELOS ANIMAIS - O REDUCIONISMO COMO BASE DA FALIBILIDADE DOS MODELOS ANIMAIS
      A bióloga Paula Brügger discorre sobre as causas e conseqüências da imprecisão do modelo animal, enfocando questões de natureza científica e epistemológica.

      http://www.sentiens.net/top/PA_ENS_paulabrugger_06_top.html

      

      "ANIMA NOBILI X ANIMA VILI": NÓS, OS SENHORES DO UNIVERSO E OS OUTROS ANIMAIS, NOSSOS ESCRAVOS...
      A bióloga Paula Brügger faz uma forte crítica ao discurso pró-vivissecção, aponta os interesses comerciais e acadêmicos que envolvem a experimentação animal e fala sobre o caráter egocêntrico da postura especista.

      http://www.sentiens.net/top/PENSATA_numero_09_top.html

      

      LEI AROUCA: AS BASES GENÉTICAS DA FALTA DE PERCEPÇÃO
      A bióloga Ellen Augusta Valer de Freitas comenta a relação entre a proposta de ensino do criacionismo nas escolas e a aprovação da Lei Arouca pelo Senado Federal.

      http://www.sentiens.net/top/PA_TRI_ellenaugusta_15_top.html

      

      VIVISSECÇÃO, PARTE 1: A "NECESSIDADE" DA VIVISSECÇÃO
      Neste primeiro de dois ensaios sobre a vivissecção, o advogado e professor Gary Francione argumenta, do ponto de vista científico, contra o uso do modelo animal na medicina voltada para os humanos e observa que, mesmo se for o caso de nos trazer algum benefício, esse uso é totalmente injustificável no plano moral.

      http://www.sentiens.net/top/PA_ENS_garyfrancione_12B_top.html

      

      VIVISSECÇÃO, PARTE 2: A JUSTIFICATIVA MORAL DA VIVISSECÇÃO
      Nesta segunda parte do ensaio sobre a vivissecção, o advogado e professor Gary Francione contesta os principais argumentos que têm sido apresentados para se tentar justificar moralmente o uso de animais na pesquisa científica e nos outros âmbitos da vida humana.

      http://www.sentiens.net/top/PA_ENS_garyfrancione_12C_top.html

      LUTANDO CONTRA A VIVISSECÇÃO: DUAS LINHAS DE ARGUMENTOS
      O estudante de direito Filber Cristiano Chaves comenta duas abordagens usadas na luta contra a vivissecção: a ética e a científica.
      http://www.sentiens.net/top/PA_TRI_cristianochaves_14_top.html


      VÍTIMAS DA CIÊNCIA
      O filósofo e psicólogo Richard D. Ryder explica o que é especismo, termo criado por ele, e porque tal preconceito é análogo ao racismo e ao sexismo. Discute também o próprio conceito de espécie e aponta como a estrutura hierárquica predominante dentro do ensino das ciências inibe questionamentos sobre o uso dos não-humanos.
      http://www.sentiens.net/top/PA_ACD_richardryder_16_top.html


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      :: SITES ::

      Interniche - http://www.internichebrasil.org/

      A InterNICHE objetiva uma educação com enfoque ético e de alta qualidade nas ciências biológicas, medicina humana e veterinária. Promovem a substituição dos experimentos em animais através do trabalho com professores na introdução de alternativas, e com estudantes no apoio à liberdade de consciência.

      Frente Brasileira pela Abolição da Vivissecção - http://www.geocities.com/Petsburgh/8205/
      Organização sem fins lucrativos que tem por objetivo promover a abolição total da experimentação animal.

     FONTE: www.sentiens.net


FLORIANÓPOLIS - SC

Lei proíbe o uso de cobaias na Capital

08/12/2007

Lei proíbe o uso de cobaias na Capital 
 
Por conta do silêncio do prefeito da Capital, Dário Berger, que não aprovou nem sancionou o Projeto de Lei 12.029, a Câmara do Vereadores promulgou, ontem, a medida que proíbe o uso de animais em práticas experimentais. A nova lei 7486/2007, que já foi encaminhada para a Impressa Oficial, passa a vigorar a partir da publicação no Diário Oficial do Estado. A decisão deve afetar diretamente as pesquisas realizadas na Universidade Federal de SC (UFSC), que mantém um biotério em Florianópolis.
O projeto de autoria do vereador Deglaber Goulart (PMDB) foi aprovado na Câmara no dia 6 de novembro, e, segundo o diretor legislativo da Câmara, Elvi Tonelli, encaminhado para a prefeitura no dia seguinte. - Depois que recebe o projeto, o prefeito tem 15 dias para se manifestar. Se não o fizer, quer dizer que aprova a promulgação da lei - afirma o presidente da Câmara, Ptolomeu Bittencourt Júnior. O projeto de lei interdita a vivissecção - operação realizada em animais vivos - em práticas experimentais que provoquem sofrimento físico e psicológico, mesmo com finalidades pedagógicas ou científicas. No Brasil, ao contrário de países como Inglaterra, França e EUA, com elevado grau de desenvolvimento científico, ainda não existe uma lei federal específica que regulamente o uso de animais de laboratório. Um projeto de lei tramita há 12 anos na Câmara dos Deputados, em Brasília, sem nunca ter entrado em votação.
 
O professor Carlos Rogério Tonussi, presidente da Comissão de Ética no Uso de Animais da UFSC, destaca os prejuízos à universidade e também ao Estado e ao país com a aprovação do projeto. Ele explica que a medida vai paralisar pesquisas realizadas para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas, tratamentos para o câncer, doenças degenerativas, artrite-reumatóide, entre outras que necessitam de testes e experimentação com bichos. - A utilização de animais ainda é o único modelo viável para o desenvolvimento final de medicamentos, vacinas, cirurgias e pesquisas em saúde - explica.
O projeto de lei da Capital é baseado em uma iniciativa similar, apresentada por vereadores do Rio de Janeiro. Lá, o projeto foi vetado pelo prefeito César Maia. Entre os projetos já desenvolvidos pelo laboratório de farmacologia da UFSC está o que resultou no primeiro medicamento brasileiro, um trabalho de pesquisa de oitos anos. Pesquisador defende maior fiscalização Sob a coordenação do professor João Batista Calixto, 58 anos, membro da Academia Brasileira de Ciências, a fase inicial da pesquisa, que contou com testes em roedores, foi responsável pela produção do antiinflamatório fitoterápico Acheflan, que está há dois anos no mercado. Do laboratório da UFSC que desenvolve pesquisas em parceria com a indústria farmacêutica nacional e internacional saiu um novo calmante fitoterápico, que será lançado em 2008.
 
- Todos os pesquisadores esperam que um dia os animais não sejam mais necessários para o desenvolvimento da ciência. Não existe problema em fiscalizar o uso indiscriminado de animais, mas nunca proibir - destaca o professor.

Fonte: Diario Catarinense

http://www.stylofm.com.br/noticias-da-stylo/lei-proibe-o-uso-de-cobaias-na-capital


Tribuna Animal - www.tribunaanimal.org.br

Infelizmente vivemos no Bananão
 
O país que apóia e recebe os dejetos do "primeiro mundo" e aceita imposições de seus pares.
Da Lei Arouca a outras incompetências
 
Para os que são um pouco mais antigos e já passaram dos 40 o Brasil nos remete a um filme de 1960, dirigido por Mauro Bolognini e estrelado por Marcello Mastroianni e Claudia Cardinale. Em "O Belo Antonio", com um roteiro inteligente baseado no romance de Vitaliano Brancati (e que paradoxalmente hoje poderia ser considerado "politicamente incorreto" por ter como enredo as deficiências fisicas ou psicológicas de alguém). As mulheres se apaixonam pelo belo e vistoso Antonio, porque imaginam que ele seja o "amante ideal", mas na realidade ele é impotente.

Podemos fazer então uma analogia com o Brasil de hoje, que infelizmente já começa a ganhar o apelido entre seus pares sul americanos de "Bananão".
Por que "Bananão" e por que fazer uma analogia com um filme italiano de 1960. Porque o Brasil não age, o Brasil está sempre na contramão da história, o Brasil é, infelizmente, o "Belo Antonio" da América Latina, "quiçá" do mundo. Com sua imensidão geográfica e riquezas naturais que fazem brilhar aos olhos dos que estão acima da linha do Equador, o Brasil não toma atitudes de um grande país, ele simplesmente aceita e concede o que outros lhe impõem. E dessa forma dificilmente irá crescer e frutificar, vai apenas aderir aos interesses dos mais fortes ou dos mais audaciosos.
Com a aprovação e ratificação da Lei Arouca - PLC 93/08 -, que cria o Conselho Nacional de Experimentação Animal (Concea) e que irá credenciar instituições interessadas na criação e utilização de animais para fins científicos e que também formulará normas para o uso dos animais, o uso de animais voltará às atividades de ensino nos estabelecimentos de ensino técnico de nível médio da área biomédica e permanecerá nos de ensino superior. O uso em pesquisas será permitido nas atividades relacionadas à ciência básica, ciência aplicada, desenvolvimento tecnológico e produção e controle da qualidade de drogas, medicamentos, alimentos, imunobiológicos e instrumentos. A proposta, que agora vai à sanção, foi apresentada em 1995, pelo então deputado federal Sérgio Arouca. 
Caso o Projeto de Lei seja sancionado, isso significa que:
a indústria da experimentação animal, que sofre grande pressão no exterior e por isso precisava de suporte no legislativo para poder realizar as suas atividades no terceiro mundo encontrou esse suporte no Brasil. E o Brasil, mais uma vez está abrindo as portas para receber o lixo que outros países não querem mais abrigar em seus quintais.
E isso é o Brasil, que "deitado eternamente em berço esplêndido", permite que se faça aqui o que já foi proibido ou que sofre grande pressão contrária em outros países. O Brasil é o local aonde os cientistas ao invés de se preocuparem em descobrir métodos alternativos para o não uso de animais em suas experiências, preocupam-se com a sua impotência para a pesquisa e, dessa forma, aceitam e festejam todas as "idéias lixo" (e consequente aporte financeiro) que são impingidas pela industria farmacêutica internacional. Para os bons entendedores é a forma mais rápida com que os "Belos Antonios" do mundo cientifico e politico ganham em potência financeira o que não mais conseguem da forma tradicional.
E os animais? Ora, para os cientistas e políticos que ainda vivem no século XVII os animais são apenas máquinas que quando gemem de dor e desespero reproduzem o som de uma engrenagem sem lubrificação.
Aguardem: pois já está em andamento um enorme centro de experimentação cientifica na região amazônica que será especializado em símios nacionais, bancado óbviamente por interesses internacionais.
 
Erico Mabellini
Tribuna Animal

www.tribunaanimal.org.br